No jazigo, o silêncio macabro escondia fortes indícios de que mais alguém repousava naquela cova... do lado de fora... a chuva torrencial, as trovoadas, fizeram com que o ocupante daquele lugar acordasse cedo demais, seu sono leve fez com que o barulho lá de fora zumbisse em seu ouvido com límpida nitidez... os olhos antes cerrados, agora faiscavam e Raimond acordou de seu curto sono para uma nova refeição... refeição essa que ele queria que fosse bem cheia de emoções, a começar pelo medo, humm, ingrediente indispensável... logo depois viria a entrega com o desejo... e por final a lascívia terminando a mordida num doce sabor de luxúria.
Seu leito nem havia esfriado e ele forçosamente já estava de pé, demorou algum tempo com a última vítima, quase apaixonou-se e antes que isso acontecesse, na última mordida, esvaziou por completo a garota e conservou-a ao seu lado na cova para se lembrar do quanto era bela, o que não daria para admirar por muito tempo. Antes de se afastar, deu uma olhada na mulher e mecanicamente vestiu seu sobretudo, apesar de tudo, ainda tinha indícios de que fora linda... a morta ainda parecia estar com um ar doce e as maçãs do rosto ainda pareciam rosadas... sua beleza era quase angelical, sem muita cerimônia, Raimond deixou-a e partiu para a noite chuvosa... agora aquele lugar seria somente dela.
Na porta do mausoléu fitou a lua, a chuva grossa não dava trégua, parecia mesmo que o mundo acabaria naquele momento... o vampiro deixou o rosto na direção da lua para sentir a água, em vão, seu corpo não possuía mais nenhum tato, era como uma dormência permanente, o que não o deixava nem mais, nem menos infeliz, pois ao se deixar transformar ele sabia tudo o que enfrentaria na sua pós-vida, só não sabia que enfrentaria sozinho, fora enganado por sua senhora que o mordeu e o transformou como se estivesse fazendo um favor, e agora só a solidão o acompanhava, pois achando necessária, nunca reclamava disso e sentia-a da melhor maneira e com o melhor néctar que a noite lhe trouxesse brindando sempre à sua imortalidade.
Deu um passo e ganhou a calçada, uma das últimas ruas do cemitério, não precisou andar muito e logo avistou algo incomum, ao longe estava uma mulher sentada num túmulo aos prantos, ainda de longe Raimond observou o que ela fazia, chorando muito ela acariciava a foto da lápide, estranhou, ver humanos naquele lugar, tarde da noite e ainda por cima numa noite como aquela, torrencialmente chuvosa, era no mínimo loucura, pelo que notou ela não era do tipo gótica, não via prazer naquilo, ela era diferente, o vampiro notou mesmo muito sentimento naquelas lágrimas, apesar de sentir algo estranho, aproximou-se.
Em silêncio e quando estava a mais ou menos um metro dela, começou a falar:
- O que faz uma jovem a estas horas, neste lugar? - falou Raimond mansamente.
- O quê? - o susto foi tão grande que ela se virou muito rápido e caiu sentada ainda no túmulo, olhando-o com espanto.
- Calma! Não precisa se assustar... - Raimond estendeu a mão para ajudá-la a se levantar.
- Então... o que aconteceu para você estar trancada dentro do cemitério desse jeito? - continuou o vampiro.
- E você? O que faz aqui? - rebateu a mulher.
- Eu? Humm... isso é uma longa história... - completou Raimond com jeito simpático.
- Bom... é que meu namorado... está... bem aqui! Neste túmulo! Depois da trajédia minha vida não foi mais a mesma... não me conformo! - explicou tristemente a garota.
- E o que você quer fazer? - perguntou curioso já com malvadas intenções.
- Eu... quero ir junto com ele... eu quero morrer... - falou abraçando o vampiro.
- Então... seja feita a sua vontade!!
Ao terminar de falar Raimond mordeu-a no pescoço, a mulher não se debateu, pelo contrário, agarrou-se a ele e deixou-o sugar seu sangue, o vampiro estranhou tanta entrega, logo pensou que ela estava mesmo decidida a se entregar nos braços da morte e continuou; De repente Raimond soltou-a meio tonto e viu nas feições da mulher um ar de vitória, sua garganta estranhamente queimava e uma fumaça acinzentada começou a sair de seus olhos e boca... desesperado, Raimond pôs as mãos no pescoço, a agonia crescia gradativamente e seu espanto foi maior quando a mulher tirou a capa evidenciando seu traje de freira, serenamente ela sorria e ainda escutou quando a irmã falou...
- Volte para o lugar de onde veio, cria do demônio... seu grave erro foi seduzir minha pobre irmã, não sei como ela caiu no seu encanto, mas algo dentro dela dizia que era errado e ela me procurou... sei de tudo sobre você, e minha irmã agora descansará em paz, sofra com seu erro... (o vampiro em agonia morria devagar e ela continuou... ), o que te queima é a minha fé... minha grande e pura fé que tenho na santa trindade... eu sei que não serei igual a você, para isso eu teria que beber do teu sangue impuro...
demorei a chegar em você... (nesse momento o vampiro terminou de se desfazer restando somente uma gosma horrivelmente fétida e a freira ainda continuou falando.), sei que minha irmã está morta, cheguei tarde para salvá-la, mas como tantos outros você não fará mal a mais ninguém.
A irmã Clara levantou a cabeça e lágrimas de felicidade rolaram por sua face.
- É mana... após meses do teu sumiço consegui encontrar o maldito e o vi derreter até o final... ele pagou... mas não vou parar agora, não por vingança e sim por justiça.
Antes de ir até o mausoléu de onde o vampiro tinha saído, a freira pegou um frasquinho da bolsa e espirrou no pescoço, as perfurações que o vampiro tinha feito viraram cicatrizes, mais duas pequenas cicatrizes, marcas que ela nunca conseguiria retirar e muito menos esquecer.
Dirigiu-se ao mausoléu e conferiu o corpo dentro da cova, era o de sua irmã, logo imaginou que ele tivesse gostado dela, pois não a matou de imediato, mas como todo mal ainda é cruel, não importa o quanto demorou, sua irmã acabou tendo aquele triste fim... com toda dor, Clara abandonou o cemitério andando como uma simples vítima na madrugada escondendo a recente mordida sob a capa.
Asgard - A saga dos nove reinos
Asgard - A saga dos nove reinos

Natasha a vampira...
à espreita, esperando os desavisados...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Arrependimento
Andando pela madrugada, Leslie ficava atenta a tudo e procurando por algo... continuava a caminhar nas ruas frias de Nova York, comida não queria já havia se alimentado e muito bem, tanto que até desperdiçou o último gole, pensou no desperdício mas enfim já estava saciada, largando os corpos à margem do lago foi andando, queria encontrar algo... algo que de alguma forma a chamava... Seguiu seus instintos, nem o cheiro pútrido dos esgotos a confundia, seus caninos brilhavam, a lua estava grande no céu, para muitos namorados a hora ideal de se amarem, mas para ela era inspiração, e a hora exata de encontrar o alguém que há muito tempo esperava.
Parou em frente a uma boate, as escadas escuras convidaram-na para uma noite agitada, o local estava cheio e tudo alí cheirava a bebida e cigarro e... sexo, coisas que há muito tempo não mais incomodavam, desceu e entrou pela portinha de vidro, o lugar pareceu pequeno do lado de fora, mas a surpreendeu por dentro, estava lotado, pessoas se amontoavam no salão, a música forte fazia todos ficarem ouriçados e desatentos, pensou na última refeição que teve ha uns quatro quarteirões atrás, alí a comida era abundante e jovial, não que as prostitutas estivessem em más condições, afinal, sangue é sempre sangue.Andou um pouco no meio do povo que pulava e gritava, Leslie achou aquilo muito engraçado, tem horas que a raça humana deixa um pouco a consciência de lado, investigando a mente de alguns ela constatou que o que os mantinham alí era a chance de sexo fácil, deprimente até o que alguns pensavam, continuou seguindo e no canto escuro da boate sentiu a presença dele, andou mais alguns passos e ficou de frente a ele, Lucian, fitando-o.
- Ora ora, finalmente o achei. - disse Leslie sorrindo.
- Não sabia que estava me procurando.. . - respondeu Lucian sarcasticamente.
- Porque você sumiu? porque não falou comigo? porque não me procurou?... porque você tem tanto medo? -Ao mesmo tempo que falava, ela puxou a cadeira empurrando a garota que o acompanhava e sentando-se em seguida olhando-o friamente, a garota quis reclamar, mas o olhar de Lucian de reprovação a impediu.
- Vamos Lucian, estou esperando, quero uma explicação. -ordenou a vampira.
- Sua protegida não te faz mais tanta falta? - instigou Lucian.
- Minha protegida... hum, não entendi porque fez aquilo, porque teve que matá-la? seria ciúme?
- Ciúme minha cara? Não confunda ciúme com vingança!
- Gosto do seu tom de voz... - terminou Leslie.
Todos alí nem sabiam o que os aguardava, Leslie estava se controlando, mas se não pudesse mais sabia que iria partir pra cima de Lucian e aquele lugar ficaria destruído em minutos, de repente era o que ele contava que acontecesse, de alguma forma ele queria que a vampira se revelasse... Leslie por sua vez, ainda gostava de Lucian, seu pupilo, mas que não havia aprendido nada do que ela ensinara, a marca disso tinha sido a pequena Helena, somente sete anos, mas que a sede do vampiro novato não tinha deixado escapar, e à beira da morte Leslie achou a garota e ficou com ela, no início para talvez expiar o erro de seu filho da noite, e depois por afeição.
A vampira ensinou tudo o que Helena precisava aprender e depois de um tempo juntas seu pupilo havia retornado pedindo perdão e um abrigo, ela mesmo não acreditando em seu arrependimento por haver fugido acolheu-o e num descuido da vampira Lucian despedaçou a garota e depositou-a dentro do próprio caixão de Leslie e fugiu novamente... agora alí naquele lugar, toda raiva se aflorava ao pensar na garotinha, pois mesmo sendo uma vampira, ela nunca matava por matar, somente para saciar sua sede e somente do sangue mais vil da raça humana, a escória, prostitutas e bandidos eram seu banquete.
- Porque faz isso... porque quer tanto se mostrar? - continuou secamente a vampira.
- Porque eles tem que saber que são somente gado, refeição e respeitar os verdadeiros predadores.. . eles tem que saber quem estão no topo da cadeia alimentar de verdade. - respondeu Lucian entredentes e raivoso.
- Eu também tive essa rebeldia um dia, e passou, como eu esperei que acontecesse contigo, mas estou vendo que você não tem jeito, não dá pra continuar fechando os olhos pras suas burradas Lucian... pelo caminho eu vi vários de seus erros, humanos vivos, mordidos, sabendo demais sobre nós... não sei o que fariam com essa informação, mas isso é uma coisa que não deve acontecer.
- Será que você encontrou todas as vítimas "mamãe". - completou ironicamente.
- Bom, se não tiver encontrado também não faz mal, eu te dei o dom da vida eterna, erradamente. .. agora eu sei, mas não te dei o dom de transformar alguém, acha que eu seria descuidada a esse ponto?
O vampiro franziu a testa não sabia disso, agora tinha ficado enfurecido demais, pois Lucian pretendia formar o seu exército particular de mortos-vivos, queria assolar a face da terra com sua maldição, e pensou que estivesse conseguindo. .. por sua vez Leslie notou que havia tocado num ponto vital, e achou graça na cara de ódio que agora seu pupilo lhe mostrava.
- Quer dizer que você queria fazer seus próprios filhos das trevas? - indagou Leslie num tom sarcástico e continuou. - Não Lucian querido, não te dei essa chance sabe porquê? Pra não acontecer contigo o que está agora acontecendo comigo, ter que eliminar um filhote rebelde e sem respeito nenhum para com sua senhora...
- Grrrr... sua vadia! Porq... - O vampiro com raiva falou salivando.
- Tsc, tsc, tsc... tadinho... Os dois ficaram se olhando por algum tempo, sem nada falarem, por dentro Lucian espumava de ódio da vampira e Leslie aguardava somente um momento para decidir o que faria, a boate estava lotada e seriam muitas as testemunhas, ela náo queria entregar sua verdadeira natureza alí no meio de tanta gente, achava que os humanos não estavam preparados para tal revelação e nunca estariam na verdade, pois nunca aceitariam a condição de serem somente alimento para seres de sua espécie e com isso viriam mais caçadores e mortes desnecessárias, derramamento de sangue sem precisão, na sua concepção, estava muito bom como estava, eles seres noturnos se escondendo no véu das trevas e os humanos nunca teriam seu conhecimento como até agora estava sendo.
Do balcão a garota que acompanhava Lucian estava indignada por ter sido retirada tão abruptamente de seu lugar, mal sabia que Leslie havia salvo sua vida, e olhando os dois de onde estava ficou torcendo para que a vampira levantasse e fosse embora... Leslie vendo que Lucian não estava se importando com nada, percebeu que ele iria se levantar e começar uma batalha alí mesmo no meio de todos e de repente, rápida como um raio segurou sua mão com força impedindo-o de se levantar, sentou-se ao seu lado e segurando-o forte sussurrou...
- Se eu fosse você ficaria quietinho, não teste minha paciência Lucian, tem muita gente aqui mas nada me impede de acabar com você aqui mesmo, e então o que vai ser? Vamos sair?
O vampiro parou de se debater e levantou-se junto com sua senhora, caminhou alguns passos e de repente tudo ficou escuro novamente, a música havia recomeçado, Lucian tentou se soltar, a vampira vendo que não tinha jeito, abraçou-o forte, ele percebeu o que ela faria e tentou chamar atenção, Leslie calou-o com seu beijo, a garota do balcão ficou com tanta raiva que pegou a bolsa e saiu em disparada e deixou-o aproveitando seu momento, pensou ela, e Leslie continuou, enquanto o beijava e o dominava, uma lágrima molhava sua face... dentro dela doía ter que fazer aquilo com um pupilo tão querido, beijou-o longamente e quando Lucian já estava com a mente em seu poder ela finalizou o beijo e olhou bem dentro de seus olhos, no fundo deles ela viu algo parecido com um arrependimento finalmente, mas já era tarde, Helena estava morta e nada mudaria isso, ainda abraçado à ele Leslie afastou a gola de sua camisa e chegou com os lábios em seu pescoço gélido, mordeu, seus caninos entraram macios na pele do morto-vivo e doeram em seu coração, ou algo parecido com isso, mas ela continuou e sugou seu sangue até que seu corpo não aguentasse mais e fosse se desfazendo, ao redor ninguém notava, a bebida e o êcxtase eram tantos que passaram despercebidos até o final, quando terminou Leslie confundiu-se na multidão e sumiu, mas com uma certeza, nunca mais faria uma transformação novamente.
Beijos Eternos
Nat Vamp.
Parou em frente a uma boate, as escadas escuras convidaram-na para uma noite agitada, o local estava cheio e tudo alí cheirava a bebida e cigarro e... sexo, coisas que há muito tempo não mais incomodavam, desceu e entrou pela portinha de vidro, o lugar pareceu pequeno do lado de fora, mas a surpreendeu por dentro, estava lotado, pessoas se amontoavam no salão, a música forte fazia todos ficarem ouriçados e desatentos, pensou na última refeição que teve ha uns quatro quarteirões atrás, alí a comida era abundante e jovial, não que as prostitutas estivessem em más condições, afinal, sangue é sempre sangue.Andou um pouco no meio do povo que pulava e gritava, Leslie achou aquilo muito engraçado, tem horas que a raça humana deixa um pouco a consciência de lado, investigando a mente de alguns ela constatou que o que os mantinham alí era a chance de sexo fácil, deprimente até o que alguns pensavam, continuou seguindo e no canto escuro da boate sentiu a presença dele, andou mais alguns passos e ficou de frente a ele, Lucian, fitando-o.
- Ora ora, finalmente o achei. - disse Leslie sorrindo.
- Não sabia que estava me procurando.. . - respondeu Lucian sarcasticamente.
- Porque você sumiu? porque não falou comigo? porque não me procurou?... porque você tem tanto medo? -Ao mesmo tempo que falava, ela puxou a cadeira empurrando a garota que o acompanhava e sentando-se em seguida olhando-o friamente, a garota quis reclamar, mas o olhar de Lucian de reprovação a impediu.
- Vamos Lucian, estou esperando, quero uma explicação. -ordenou a vampira.
- Sua protegida não te faz mais tanta falta? - instigou Lucian.
- Minha protegida... hum, não entendi porque fez aquilo, porque teve que matá-la? seria ciúme?
- Ciúme minha cara? Não confunda ciúme com vingança!
- Gosto do seu tom de voz... - terminou Leslie.
Todos alí nem sabiam o que os aguardava, Leslie estava se controlando, mas se não pudesse mais sabia que iria partir pra cima de Lucian e aquele lugar ficaria destruído em minutos, de repente era o que ele contava que acontecesse, de alguma forma ele queria que a vampira se revelasse... Leslie por sua vez, ainda gostava de Lucian, seu pupilo, mas que não havia aprendido nada do que ela ensinara, a marca disso tinha sido a pequena Helena, somente sete anos, mas que a sede do vampiro novato não tinha deixado escapar, e à beira da morte Leslie achou a garota e ficou com ela, no início para talvez expiar o erro de seu filho da noite, e depois por afeição.
A vampira ensinou tudo o que Helena precisava aprender e depois de um tempo juntas seu pupilo havia retornado pedindo perdão e um abrigo, ela mesmo não acreditando em seu arrependimento por haver fugido acolheu-o e num descuido da vampira Lucian despedaçou a garota e depositou-a dentro do próprio caixão de Leslie e fugiu novamente... agora alí naquele lugar, toda raiva se aflorava ao pensar na garotinha, pois mesmo sendo uma vampira, ela nunca matava por matar, somente para saciar sua sede e somente do sangue mais vil da raça humana, a escória, prostitutas e bandidos eram seu banquete.
- Porque faz isso... porque quer tanto se mostrar? - continuou secamente a vampira.
- Porque eles tem que saber que são somente gado, refeição e respeitar os verdadeiros predadores.. . eles tem que saber quem estão no topo da cadeia alimentar de verdade. - respondeu Lucian entredentes e raivoso.
- Eu também tive essa rebeldia um dia, e passou, como eu esperei que acontecesse contigo, mas estou vendo que você não tem jeito, não dá pra continuar fechando os olhos pras suas burradas Lucian... pelo caminho eu vi vários de seus erros, humanos vivos, mordidos, sabendo demais sobre nós... não sei o que fariam com essa informação, mas isso é uma coisa que não deve acontecer.
- Será que você encontrou todas as vítimas "mamãe". - completou ironicamente.
- Bom, se não tiver encontrado também não faz mal, eu te dei o dom da vida eterna, erradamente. .. agora eu sei, mas não te dei o dom de transformar alguém, acha que eu seria descuidada a esse ponto?
O vampiro franziu a testa não sabia disso, agora tinha ficado enfurecido demais, pois Lucian pretendia formar o seu exército particular de mortos-vivos, queria assolar a face da terra com sua maldição, e pensou que estivesse conseguindo. .. por sua vez Leslie notou que havia tocado num ponto vital, e achou graça na cara de ódio que agora seu pupilo lhe mostrava.
- Quer dizer que você queria fazer seus próprios filhos das trevas? - indagou Leslie num tom sarcástico e continuou. - Não Lucian querido, não te dei essa chance sabe porquê? Pra não acontecer contigo o que está agora acontecendo comigo, ter que eliminar um filhote rebelde e sem respeito nenhum para com sua senhora...
- Grrrr... sua vadia! Porq... - O vampiro com raiva falou salivando.
- Tsc, tsc, tsc... tadinho... Os dois ficaram se olhando por algum tempo, sem nada falarem, por dentro Lucian espumava de ódio da vampira e Leslie aguardava somente um momento para decidir o que faria, a boate estava lotada e seriam muitas as testemunhas, ela náo queria entregar sua verdadeira natureza alí no meio de tanta gente, achava que os humanos não estavam preparados para tal revelação e nunca estariam na verdade, pois nunca aceitariam a condição de serem somente alimento para seres de sua espécie e com isso viriam mais caçadores e mortes desnecessárias, derramamento de sangue sem precisão, na sua concepção, estava muito bom como estava, eles seres noturnos se escondendo no véu das trevas e os humanos nunca teriam seu conhecimento como até agora estava sendo.
Do balcão a garota que acompanhava Lucian estava indignada por ter sido retirada tão abruptamente de seu lugar, mal sabia que Leslie havia salvo sua vida, e olhando os dois de onde estava ficou torcendo para que a vampira levantasse e fosse embora... Leslie vendo que Lucian não estava se importando com nada, percebeu que ele iria se levantar e começar uma batalha alí mesmo no meio de todos e de repente, rápida como um raio segurou sua mão com força impedindo-o de se levantar, sentou-se ao seu lado e segurando-o forte sussurrou...
- Se eu fosse você ficaria quietinho, não teste minha paciência Lucian, tem muita gente aqui mas nada me impede de acabar com você aqui mesmo, e então o que vai ser? Vamos sair?
O vampiro parou de se debater e levantou-se junto com sua senhora, caminhou alguns passos e de repente tudo ficou escuro novamente, a música havia recomeçado, Lucian tentou se soltar, a vampira vendo que não tinha jeito, abraçou-o forte, ele percebeu o que ela faria e tentou chamar atenção, Leslie calou-o com seu beijo, a garota do balcão ficou com tanta raiva que pegou a bolsa e saiu em disparada e deixou-o aproveitando seu momento, pensou ela, e Leslie continuou, enquanto o beijava e o dominava, uma lágrima molhava sua face... dentro dela doía ter que fazer aquilo com um pupilo tão querido, beijou-o longamente e quando Lucian já estava com a mente em seu poder ela finalizou o beijo e olhou bem dentro de seus olhos, no fundo deles ela viu algo parecido com um arrependimento finalmente, mas já era tarde, Helena estava morta e nada mudaria isso, ainda abraçado à ele Leslie afastou a gola de sua camisa e chegou com os lábios em seu pescoço gélido, mordeu, seus caninos entraram macios na pele do morto-vivo e doeram em seu coração, ou algo parecido com isso, mas ela continuou e sugou seu sangue até que seu corpo não aguentasse mais e fosse se desfazendo, ao redor ninguém notava, a bebida e o êcxtase eram tantos que passaram despercebidos até o final, quando terminou Leslie confundiu-se na multidão e sumiu, mas com uma certeza, nunca mais faria uma transformação novamente.
Beijos Eternos
Nat Vamp.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Gritos na escuridão
Quando os gritos começaram eles ficaram assustados, uns poucos pedestres pararam, outros seguiram em frente querendo sair logo daquele lugar, vez ou outra um carro quebrava naquela parte da estrada e sem soluções a pessoa tinha que esperar alguém passar por ali, mas naquela hora, William e Linda teriam que esperar, mesmo amedrontados ficaram dentro do carro, um conversível vermelho, receosos olhavam com os olhos arregalados para todos os cantos da estrada, o vento, a chuva fininha que teimava em encharcar aos poucos a rua escura, e a ribanceira bem do lado do carro, de repente um chiado e Linda tenta sair do carro, trêmula, mas William segura em seu braço.
- O que foi, ta maluca? Vai sair nesse lugar escuro e debaixo dessa chuva?-William abraçou-a tão forte que Linda pôde sentir seu coração que estava aos pulos.
- Você não ouviu Will, tem alguém lá fora, está nos espiando, eu sei, eu sinto.
- E mesmo com essa sensação você quer ir lá fora? Acalme-se.
- Acho que seria pior nos pegarem aqui dentro, aqui somos alvos fáceis.
- Vamos esperar só mais um pouquinho, de repente alguém passa por aqui.
- Duvido, já estamos aqui há duas horas e você viu pelo menos um animal? Aqui não tem nada, só o vento e essa chuva que está me dando nos nervos, vamos sair daqui, vamos correr até encontrar alguma residência, vamos procurar um telefone... Por favor!
- Não sei por que ainda te dou ouvidos, vamos então, mas se prepare para qualquer coisa, não sei onde estamos.
- Se não sabemos a culpa não é minha, eu te falei que não gostava de atalhos.
Os dois se entreolharam, nos olhos de William brilhava o arrependimento de não tê-la ouvido, mas agora era tarde, abriram a porta do carro, olharam para todos os lados, ninguém, só eles naquele lugar que mais parecia ter saído de um filme de terror com aquelas árvores secas balançando.
Começaram andando, depois de tão apavorados correndo, depois de alguns minutos avistaram uma casa, luz acesa, aquilo aliviou-os, correram até a casa e chamaram, bateram na porta, até que apareceu uma senhora.
- Boa-noite, nosso carro quebrou lá atrás e precisamos de um telefone, será que a senhora poderia nos ajudar?
A senhora nada falou, sorriu e deu-lhes passagem, ao passarem a porta se fechou e gritos ecoaram da cabana, gritos sufocantes.
- Sentem-se e fiquem à vontade, não gritem ninguém irá escutá-los.
- Temos que sair daqui Will, temos que sair daqui... - repetia Linda atordoada.
- Pensei que vocês não iriam sair daquele carro tão cedo, mas felizmente tenho o tempo que vocês não tem para esperá-los... A eternidade.
Pela casa tinha alguns objetos antigos e um caixão, também mais um casal estava num dos cantos da casa e não falavam nada, só fitavam o vazio, os rostos retorcidos apavoraram Linda e William que olhando para a senhora ficaram mudos ao vê-la tornando-se jovem, ali não existia mais uma velhinha com rostinho bondoso e sim uma jovem com um ar estranhamente cruel e sentada esperou que parassem de gritar.
- Bela estrada que me traz refeições cada vez mais saborosas, belo atalho que atrai cada vez mais desavisados. .. Sabia que tinha escolhido bem esse lugar...
A moça agora olhava para Linda e passando a língua nos lábios estendeu a mão e chamou-a, Linda que antes amedrontada, agora obedecia o comando da vampira e levantou-se andando em sua direção, nem os apelos de seu namorado a acordaram daquele transe, e a vampira sem cerimônia nenhuma banqueteou-se de seu sangue na presença de William que desesperado gritava para que soltasse sua amada... Após satisfazer-se a vampira jogou Linda de lado como uma carcaça, e sem contentar-se fez o mesmo com William, com seu chamado, o rapaz não teve como não obedecer e também foi ao encontro de seu algoz, mas para sua surpresa a vampira sussurrou em seu ouvido.
- Você... não quero para refeição, quero que aceite ficar ao meu lado, só não prometo a eternidade, mas prometo que será uma vida que você nunca iria ter se tivesse ao lado da sua namoradinha.
William não tinha escolha, baixou a cabeça e daquele dia em diante tornou-se escravo da vampira, obedecendo-a e como havia prometido, ele estava tendo uma vida como nenhuma outra, mas sempre se lembrava do casal jogado no canto naquela noite e sabia que um dia sua vez chegaria, só lhe restava aproveitar o que sua teimosia havia lhe presenteado.
Nat Vamp.
Beijos Eternos.
- O que foi, ta maluca? Vai sair nesse lugar escuro e debaixo dessa chuva?-William abraçou-a tão forte que Linda pôde sentir seu coração que estava aos pulos.
- Você não ouviu Will, tem alguém lá fora, está nos espiando, eu sei, eu sinto.
- E mesmo com essa sensação você quer ir lá fora? Acalme-se.
- Acho que seria pior nos pegarem aqui dentro, aqui somos alvos fáceis.
- Vamos esperar só mais um pouquinho, de repente alguém passa por aqui.
- Duvido, já estamos aqui há duas horas e você viu pelo menos um animal? Aqui não tem nada, só o vento e essa chuva que está me dando nos nervos, vamos sair daqui, vamos correr até encontrar alguma residência, vamos procurar um telefone... Por favor!
- Não sei por que ainda te dou ouvidos, vamos então, mas se prepare para qualquer coisa, não sei onde estamos.
- Se não sabemos a culpa não é minha, eu te falei que não gostava de atalhos.
Os dois se entreolharam, nos olhos de William brilhava o arrependimento de não tê-la ouvido, mas agora era tarde, abriram a porta do carro, olharam para todos os lados, ninguém, só eles naquele lugar que mais parecia ter saído de um filme de terror com aquelas árvores secas balançando.
Começaram andando, depois de tão apavorados correndo, depois de alguns minutos avistaram uma casa, luz acesa, aquilo aliviou-os, correram até a casa e chamaram, bateram na porta, até que apareceu uma senhora.
- Boa-noite, nosso carro quebrou lá atrás e precisamos de um telefone, será que a senhora poderia nos ajudar?
A senhora nada falou, sorriu e deu-lhes passagem, ao passarem a porta se fechou e gritos ecoaram da cabana, gritos sufocantes.
- Sentem-se e fiquem à vontade, não gritem ninguém irá escutá-los.
- Temos que sair daqui Will, temos que sair daqui... - repetia Linda atordoada.
- Pensei que vocês não iriam sair daquele carro tão cedo, mas felizmente tenho o tempo que vocês não tem para esperá-los... A eternidade.
Pela casa tinha alguns objetos antigos e um caixão, também mais um casal estava num dos cantos da casa e não falavam nada, só fitavam o vazio, os rostos retorcidos apavoraram Linda e William que olhando para a senhora ficaram mudos ao vê-la tornando-se jovem, ali não existia mais uma velhinha com rostinho bondoso e sim uma jovem com um ar estranhamente cruel e sentada esperou que parassem de gritar.
- Bela estrada que me traz refeições cada vez mais saborosas, belo atalho que atrai cada vez mais desavisados. .. Sabia que tinha escolhido bem esse lugar...
A moça agora olhava para Linda e passando a língua nos lábios estendeu a mão e chamou-a, Linda que antes amedrontada, agora obedecia o comando da vampira e levantou-se andando em sua direção, nem os apelos de seu namorado a acordaram daquele transe, e a vampira sem cerimônia nenhuma banqueteou-se de seu sangue na presença de William que desesperado gritava para que soltasse sua amada... Após satisfazer-se a vampira jogou Linda de lado como uma carcaça, e sem contentar-se fez o mesmo com William, com seu chamado, o rapaz não teve como não obedecer e também foi ao encontro de seu algoz, mas para sua surpresa a vampira sussurrou em seu ouvido.
- Você... não quero para refeição, quero que aceite ficar ao meu lado, só não prometo a eternidade, mas prometo que será uma vida que você nunca iria ter se tivesse ao lado da sua namoradinha.
William não tinha escolha, baixou a cabeça e daquele dia em diante tornou-se escravo da vampira, obedecendo-a e como havia prometido, ele estava tendo uma vida como nenhuma outra, mas sempre se lembrava do casal jogado no canto naquela noite e sabia que um dia sua vez chegaria, só lhe restava aproveitar o que sua teimosia havia lhe presenteado.
Nat Vamp.
Beijos Eternos.
sábado, 17 de maio de 2008
Imprudência x Destino
Por quanto tempo ainda ficarei aqui? Ouço lá fora o barulho mortal e até o vôo de uma simples borboleta, mas... não consigo sair, não tenho mais forças, não posso mover um dedo sequer... por que dormi tanto?
(Um tempinho depois)... Maldição! Se eu ainda fosse inexperiente... mas não, em meus séculos pesa o tormento desta odiosa dádiva.
Bom... eu vim parar aqui para um descanso, e vim no intuito do descanso nunca terminar, porque estou tão preocupada? Apesar de saber que mesmo que eu fique aqui por mil anos nunca terei a morte completa, definitiva.. . mas, aceitei ficar neste túmulo que por ironia é o meu próprio, só não sabia que acordaria e ficaria ouvindo a tudo e todos... ora Scath, descanse e procure não pensar em nada, se seu destino for ficar neste cárcere subterrâneo.. . então acostume-se, mas se não for... espere... algo acontecerá e quem sabe você volta a perambular pelas ruas.
A vampira passou algum tempo divagando, mergulhada em dúvidas, o que mais pesava em seu corpo era a desistência, faltava-lhe força de vontade para ficar entre os vivos e não notou que a maior letargia estava em sua mente.
Num dado momento ela achou mesmo que pudesse abreviar mais um pouco sua não-vida, pois estava entrando em novo torpor e foi deixando-se levar na onda da sonolência quando algo inesperado aconteceu e trouxe-a de volta, acordou e agora sem quase forças, tudo que conseguiu fazer foi abrir lentamente os olhos.
Angustiada, pois já estava nesta situação já há alguns anos, começou a inquietar-se, foi quando ouviu o portão do cemitério ser aberto após romperem a corrente que o trancava. Ela sabia que era noite, não entendeu nada, pessoas vindo à um cemitério à noite?... e entendeu menos ainda quando constatou ser um casal, com algum esforço esboçou um sorriso malicioso ao perceber os níveis de excitação dos dois, não estava acreditando, aquela época trouxera para ela dois malucos ou coisa bem melhor.
O casal andou por entre os túmulos e Scath com uma leve sugestão na mente do rapaz fez com que eles parassem em seu túmulo. Não demorou muito e já estavam fazendo amor acima da vampira. Agora sim, ela estava apostando tudo o que tinha, se não conseguisse ir até o final, o torpor agora seria infinito, ou seja, não tinha nada a perder.
Scath continuou de leve na mente do rapaz envolvendo-o, perturbando- o... e no auge da transa ele numa das sugestões da vampira, pôs as mãos no pescoço da namorada. Scath aos poucos sussurrava nos sentidos de sua vítima a sua vontade, era tudo o que ainda podia fazer.
Devagar o rapaz foi apertando suas mãos em volta do pescoço da garota em meio ao calor de seus corpos frenéticos, no início ela gostou e depois quando notou que ele não iria parar ela começou a se apavorar... se debater em baixo dele, gritou seu nome várias vezes mas ele parecia não escutá-la, e com os olhos enfurecidos, ele continuou o que fazia aos comandos da vampira. Continuou apertando dominado por Scath, e começou a bater a cabeça da garota contra o mármore, em seu íntimo ele não queria fazer aquilo, sabia que era errado, mas não dominava sua vontade, e no final aos prantos estourou a cabeça da namorada no mármore branco, o sangue explodiu para todo lado e inclusive infiltrando no túmulo dando à vampira o poderoso néctar que ela tanto precisava... naquele momento ela até voltou a apreciar o sangue novamente... apreciou de tal forma que até parecia que estava prestes a saborear sua primeira vítima.
O sangue brotou nas laterais internas do túmulo e o cheiro ajudou-a a se mover um pouco em sua direção, que ao escorrer pela vampira ela aproveitou o que pôde, cada gota, e mesmo não estando de todo revigorada, afastou a tampa pesada colocando metade do corpo para fora comtemplando a noite e logo olhou para o rapaz que aterrorizado segurava o que havia sobrado da namorada, fitou-o secamente e ainda muito faminta.
Ele segurava o corpo ensanguentado, estava desesperado e emudeceu ao ver Scath sair de dentro da cova... entrou em estado de choque, não conseguiu sair do lugar, não queria largar a morta, não sabia o que fazer.
A vampira olhando-o começou a falar...
- Olá belo mortal... tsc, tsc, tsc, vocês foram tão ingênuos... achou que por aqui só tivesse mortos?... bom... de certa forma... sim, só tem mortos mesmo... mas... eu sou diferente.
Scath notou que no olhar do rapaz ele tinha todo o desespero e isso a excitou, chegou perto dele e arrebatou o corpo da garota jogando-o dentro de sua cova, ela se abaixou e cheirou sua presa, o aroma era de puro medo, ele estava aterrorizado. .. Scath abriu a boca mostrando seus caninos pontudos e logo atacou sua vítima, bebeu com força e muita vontade, drenou todo o sangue daquele que fora tão imprudente. Ao fim, arrancou sua cabeça e jogou as duas partes junto da mulher... não queria descuidar nem um pouco.
Finalmente Scath estava de volta e agora o que a esperava era um mundo deturpado e pervertido e isso era o que mais ela estava adorando... antes de ir contemplou o casal que pareciam dormir, logo fechou a tampa e ganhou o resto da madrugada.
Nat
(Um tempinho depois)... Maldição! Se eu ainda fosse inexperiente... mas não, em meus séculos pesa o tormento desta odiosa dádiva.
Bom... eu vim parar aqui para um descanso, e vim no intuito do descanso nunca terminar, porque estou tão preocupada? Apesar de saber que mesmo que eu fique aqui por mil anos nunca terei a morte completa, definitiva.. . mas, aceitei ficar neste túmulo que por ironia é o meu próprio, só não sabia que acordaria e ficaria ouvindo a tudo e todos... ora Scath, descanse e procure não pensar em nada, se seu destino for ficar neste cárcere subterrâneo.. . então acostume-se, mas se não for... espere... algo acontecerá e quem sabe você volta a perambular pelas ruas.
A vampira passou algum tempo divagando, mergulhada em dúvidas, o que mais pesava em seu corpo era a desistência, faltava-lhe força de vontade para ficar entre os vivos e não notou que a maior letargia estava em sua mente.
Num dado momento ela achou mesmo que pudesse abreviar mais um pouco sua não-vida, pois estava entrando em novo torpor e foi deixando-se levar na onda da sonolência quando algo inesperado aconteceu e trouxe-a de volta, acordou e agora sem quase forças, tudo que conseguiu fazer foi abrir lentamente os olhos.
Angustiada, pois já estava nesta situação já há alguns anos, começou a inquietar-se, foi quando ouviu o portão do cemitério ser aberto após romperem a corrente que o trancava. Ela sabia que era noite, não entendeu nada, pessoas vindo à um cemitério à noite?... e entendeu menos ainda quando constatou ser um casal, com algum esforço esboçou um sorriso malicioso ao perceber os níveis de excitação dos dois, não estava acreditando, aquela época trouxera para ela dois malucos ou coisa bem melhor.
O casal andou por entre os túmulos e Scath com uma leve sugestão na mente do rapaz fez com que eles parassem em seu túmulo. Não demorou muito e já estavam fazendo amor acima da vampira. Agora sim, ela estava apostando tudo o que tinha, se não conseguisse ir até o final, o torpor agora seria infinito, ou seja, não tinha nada a perder.
Scath continuou de leve na mente do rapaz envolvendo-o, perturbando- o... e no auge da transa ele numa das sugestões da vampira, pôs as mãos no pescoço da namorada. Scath aos poucos sussurrava nos sentidos de sua vítima a sua vontade, era tudo o que ainda podia fazer.
Devagar o rapaz foi apertando suas mãos em volta do pescoço da garota em meio ao calor de seus corpos frenéticos, no início ela gostou e depois quando notou que ele não iria parar ela começou a se apavorar... se debater em baixo dele, gritou seu nome várias vezes mas ele parecia não escutá-la, e com os olhos enfurecidos, ele continuou o que fazia aos comandos da vampira. Continuou apertando dominado por Scath, e começou a bater a cabeça da garota contra o mármore, em seu íntimo ele não queria fazer aquilo, sabia que era errado, mas não dominava sua vontade, e no final aos prantos estourou a cabeça da namorada no mármore branco, o sangue explodiu para todo lado e inclusive infiltrando no túmulo dando à vampira o poderoso néctar que ela tanto precisava... naquele momento ela até voltou a apreciar o sangue novamente... apreciou de tal forma que até parecia que estava prestes a saborear sua primeira vítima.
O sangue brotou nas laterais internas do túmulo e o cheiro ajudou-a a se mover um pouco em sua direção, que ao escorrer pela vampira ela aproveitou o que pôde, cada gota, e mesmo não estando de todo revigorada, afastou a tampa pesada colocando metade do corpo para fora comtemplando a noite e logo olhou para o rapaz que aterrorizado segurava o que havia sobrado da namorada, fitou-o secamente e ainda muito faminta.
Ele segurava o corpo ensanguentado, estava desesperado e emudeceu ao ver Scath sair de dentro da cova... entrou em estado de choque, não conseguiu sair do lugar, não queria largar a morta, não sabia o que fazer.
A vampira olhando-o começou a falar...
- Olá belo mortal... tsc, tsc, tsc, vocês foram tão ingênuos... achou que por aqui só tivesse mortos?... bom... de certa forma... sim, só tem mortos mesmo... mas... eu sou diferente.
Scath notou que no olhar do rapaz ele tinha todo o desespero e isso a excitou, chegou perto dele e arrebatou o corpo da garota jogando-o dentro de sua cova, ela se abaixou e cheirou sua presa, o aroma era de puro medo, ele estava aterrorizado. .. Scath abriu a boca mostrando seus caninos pontudos e logo atacou sua vítima, bebeu com força e muita vontade, drenou todo o sangue daquele que fora tão imprudente. Ao fim, arrancou sua cabeça e jogou as duas partes junto da mulher... não queria descuidar nem um pouco.
Finalmente Scath estava de volta e agora o que a esperava era um mundo deturpado e pervertido e isso era o que mais ela estava adorando... antes de ir contemplou o casal que pareciam dormir, logo fechou a tampa e ganhou o resto da madrugada.
Nat
sábado, 26 de janeiro de 2008
Vampiros existem?
A garota entrou na loja de bijuterias, a vendedora logo veio ao seu lado perguntando o que queria, Mel agradeceu e dirigiu-se a outro stand, ficou novamente olhando as novidades, a vendedora viu que demorava e voltou a importuná-la:
-Gostaria que eu te mostrasse algo? - perguntou toda solícita.
- Sim, vejo que não acho o que estou procurando. - respondeu Mel normalmente.
- O que seria?
- Eu gosto muito do estilo Vampírico... você não teria algo como morcegos, caveiras, vampiros, cruzes?
- Cruzes invertidas você quer dizer? - continuou curiosa a atendente.
- Não, não, cruzes normais, com arabescos, com enfeites, tipo ouro velho ou mesmo tipo prata.
- Não, infelizmente não é o tipo de bijou que temos disponível... e também, isso é meio bobo, não é? - soltou a vendedora.
- Bobo? Por quê? - perguntou Mel curiosa.
- Ah! Essas coisas... será que existem? ou será só invenção?
- Você crê que Deus exista? - instigou a garota.
- Claro que sim. - rebateu a vendedora.
- E você precisa vê-lo? ou mesmo o vê?
- Claro que não... - Preciso dizer mais alguma coisa?
Ao terminar de falar, a vendedora se arrepiou dos pés a cabeça com o jeito com que Mel lhe falara... a mulher teve medo ao fitar os olhos da menina que aparentava ter somente uns 17 anos, mas que parecia ter muito conhecimento pelo jeito que dizia as coisas e ainda não satisfeita a vendedora continuou...
- Se os vampiros existem mesmo... ele são normais... ou eles tem mau-cheiro como dizem alguns... como seriam eles?
- Como você acredita que eles sejam? - a menina debruçou no balcão e olhou demoradamente a mulher.
- Ai, do jeito que você fala até parece que você é uma vampira... ... ... é? - o medo estava começando a aflorar e a vendedora tentou disfarçar.
De repente as portas baixaram, uma névoa bem espessa ficou passando rente ao chão, a garota de costas para a vendedora começou a rir e foi dizendo suavemente.. .
- Não posso mais dizer a você "cuidado com o que deseja" ou coisas do tipo, mas digo, " hoje é sua noite de sorte" e sem mais explicações você saberá tudo que quer, pena que não irá durar por muito tempo...
Mal terminou de falar, a mulher viu-se rendida, nem viu quando a garota tinha chegado até ela, só viu quando já sentia seu hálito...
- Por quem gostaria de ser mordida? - perguntou Mel acariciando a face de sua presa.
Mel instigou a vendedora que nem sabia mais onde estava, pois estava totalmente entregue aos domínios de sua ilusão... a vampira fechou os olhos e logo uma figura veio-lhe à mente, e a vendedora teve a noite mais feliz de sua vida, pois mesmo que momentaneamente ela teve a chance de estar nos braços do seu amado novamente.
Blood kisses.
Nat Vamp.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
As Vampiras Piratas
-Como tudo aconteceu?
-Não sei... foi tudo muito rápido. -respondeu Letícia mecanicamente.
-Eram muitos?
-Não... apenas três, mas tomaram conta do navio inteiro.
-E sua família?
-Também não sei... não pude mais voltar pra casa... não desse jeito.
-Faz quanto tempo?
-Hum... 330 anos... desde então estamos aqui, presas a essas águas tendo como casa apenas esse navio... mais alguma pergunta?
-Sim... e eu gostaria que sua resposta fosse "sim".
-O que é?
-Me transforma.. . deixa eu seguir pela eternidade contigo...
-O que te atrai nisso? "Eternidade" ... por que é tão... fascinante pra você?
-Por que eu poderia viver pra sempre ao seu lado.
-"Pra sempre"... é muito tempo!Letícia fitou Jonas por um longo tempo, ele era um ótimo amigo e passaram momentos maravilhosos, mas daí a transformá-lo era um enorme "se"... o que aconteceria se ela o transformasse? E se tudo desse errado? E se ele virasse um assassino implacável dando trabalho? Sem limite nenhum? Isso poderia trazer-lhe consequências e Letícia queria continuar anônima, sem chamar a atenção para não haver problemas. E logo Greg lhe veio à cabeça, um ótimo homem, amante sem igual, mas que ao ter o poder nas mãos quase os destruiu atraindo atenção desnecessária, isso culminou na morte de sua querida amiga, Manuelle... os caçadores pegaram-na pelas costas e degolaram-na de surpresa. Isso quase destruiu Letícia, mas ela superou e após ter dado fim à sua criação, despediu-se de Greg jogando-o no mais profundo oceano, e fez questão de esquecê-lo logo, prometendo para si mesma nunca mais confiar em alguém, poderia até amar novamente, mas trazer mais alguém para sua condição, isso nuncamais... decidiu que se amasse, seu amor duraria o tempo humano e depois ele seria lembrado com muito carinho, apenas lembrado.
Mas após tanto tempo o destino pregou-lhe uma nova peça, Letícia havia conhecido Jonas num dos portos onde pararam para se alimentar, apenas algumas palavras trocadas e o convite logo foi dado para que ele embarcasse, mas Letícia tinha certeza que ele não duraria mais que uma noite e com essa já faz um mês que estão juntos... ela não pensava em se ligar a mais ninguém, mas tudo foi mais forte, a simpatia, o companheirismo e aquele sorriso, tudo supria as carências da vampira... as amigas retrucaram, mas Letícia era muito respeitada e ao passo que todos os outros convidados encontravam o descanso nas cálidas águas, mas Letícia confiava em Jonas, até que ele descobriu seus segredos e por fim ela desabafou, para ele agora a vida também seria naquele lugar, pois após uma confissão tão macabra, ele sabia que não deixariam ele partir.Ao invés do rapaz sentir medo ele sentiu fascínio, ao invés dele querer fugir, ele optou por se ligar ainda mais à vampira, tanto que o pedido veio num rompante e deixou-a surpresa... mas a dádiva é diferente para cada um, o exemplo do Greg foi suficiente e Letícia não queria passar por tudo de novo, na dúvida, era melhor deixar tudo como estava, mas ele insistiu...
-Por que não? Você não me ama?
-Amor?? Não posso negar que você tornou-se especial, tanto que não posso torná-lo um vampiro... infelizmente meu querido, você como todo mortal, pode ter a certeza que um dia vai morrer e eu continuarei carregando meu fardo.
-Mas você transformou todas as outras, por que não eu? Por que sou homem?
A vampira sorriu diante da inocente ignorância de Jonas, e explicou...
-Jonas meu querido... aí você se engana, nós somos filhas do mesmo senhor, todas nós fomos transformadas na mesma época e à mim foi dado o título de capitã mediante meu merecimento. .. apenas isso.
-E ele... esse senhor... vem visitá-las? Ele vem com que frequência vê-las?
-Nenhuma... nunca veio, as vezes me sinto observada, mas deve ser só impressão.
-Minha nossa! Como vocês aguentam essa vida?
-Nos acostumamos. .. aceitamos... apenas isso.
-Você poderia me contar como foi que tudo aconteceu? Como "na época" vocês encararam o mal?
-Mal? Então é isso o que pensa de mim? Que sou o mal? -a mulher estranhou um pouco a pergunta, mas afastou o pensamento.
-Não, me desculpe... pequei na maneira de falar... mas... poderia me contar?
-Vamos ver... por onde eu começo... Era uma vez... ha ha ha, me desculpe, bom, deixa eu pensar...
Os dois conversavam enquanto o sol ainda estava quente iluminando tudo, o navio estava atracado numa ilha segura, todas as vampiras estavam recolhidas no interior do navio que fora forrado com peles para vetar a entrada do sol.
Letícia e Jonas estavam nos aposentos que eram destinados à ela, a capitã, que também havia sido cuidadosamente forrado com peles de animais.Enquanto Jonas bebia vinho, ela contava-lhe toda sua história... apesar de não gostar de relembrar o tudo de bizarro que havia acontecido, mas não se importou em contar e começou.
Bom... naquele dia, o dia da minha viagem finalmente sem meus pais, eu estava muito feliz, havia acabado de completar 19 anos e juntamente com algumas amigas, concordamos em conhecer algumas ilhas por um período de 6 meses, na verdade, eu nem sabia como meus pais haviam concordado, era um verdadeiro milagre... enfim chegou o dia, estava lindamente ensolarado, lembro também de muitos pássaros, tudo estava perfeito e quando eu retornasse iria me casar com um jovem príncipe que eu ainda não conhecia... e nem conheci... as vezes me pego imaginando como ele deveria ser...
-Você era uma princesa?
-Sim... era... há muito tempo...Meus pais haviam contratado homens de confiança para o navio... e as minhas amas também vieram... todas foram cruelmente massacradas, até hoje lembro de seus gritos...
-Quantas amas eram?
-Catorze.
-E quantas amigas vieram com você?
-Doze... as mesmas que continuam comigo ainda hoje, menos Manuelle... vítima da minha inocente burrice.
-falou fechando os olhos...
-posso continuar?A vampira perguntou num tom de brincadeira e Jonas consentiu com a cabeça.
O dia chegou e tudo estava sendo cuidadosamente arrumado, o capitão já tinha marcado no mapa todas as ilhas que visitaríamos, não era uma viagem tão longa, apenas seis meses, tudo havia sido conferido e arrumado, nos despedimos de todos e embarcamos.. . passamos um mês muito bem, atracamos em lugares com ótimas pousadas, tudo era novo e curioso... estava feliz e escrevia num diário tudo que se passava, para que quando voltasse, mostrar as anotações para meus pais e todos que haviam ficado.
Na última cidadezinha que atracamos conheci um jovem e ele tinha dois amigos, quando chegamos eles estavam conversando e ao me ver um deles veio me cumprimentar. .. achei-o cavalheiro, ele era educado e gentil e pediu-nos para seguir viagem conosco... minha resposta foi instantânea, dei um “não” da melhor maneira, pois uma coisa nele me incomodou muito, o fato dele me encarar diretamente nos olhos, causou-me arrepios.
Ele continuava a me encarar e insistia na pergunta, tanto que me irritei e saí, quando olhei para traz para ver se me seguia notei que ele estava espantado com algo, falando com os amigos que também estavam com caras estranhas. Eu não queria mais vê-lo... nunca mais cruzar com ele, mas na hora de voltar ao navio, vi gente estranha rodeando o local e o embarque de umas enormes caixas... corri até o capitão que sorridente conversava com aquele estranho misterioso, perguntei atordoada o porque do capitão estar agindo daquela forma já que aquela era uma viagem estritamente particular e ele me falou que no próximo porto eles desceriam, que era uma carona rápida... eu retruquei, reclamei muito, mas o capitão não mudou de idéia e com um sorriso maliciosamente cínico, aquele homem e seus amigos embarcaram.
Eu até pensei em não seguir viagem, mas fui vencida por todos... todos pareciam encantados com aqueles três... todos... menos eu... lá no fundo do meu coração eu sabia queaquilo era encrenca.
Subi no navio e falei duramente ao capitão que quando retornássemos eu contaria tudo para meu pai, mas nem aquilo pareceu abalar o ânimo repentino do capitão antes conhecido como rabugento, mas muito competente.. . bom, depois daquilo eu duvidava de sua competência, eu estava realmente indignada.
Me recolhi aos meus aposentos e deixei todos os outros com suas cordialidades para lá, eu queria chegar logo ao próximo porto e acabar com aquele pesadelo. As minhas amigas, as amas e os homens estavam de tal modo fascinados que até parecia que estavam enfeitiçados, mas essa hipótese deixei pra lá, não acreditava no sobrenatural.
Que ironia não é?-
E eles atacaram naquela mesma noite?
- Sim... estranhamente o capitão só quis viajar à noite, e eu nem desconfiei, quando não os vi durante o dia.
Naquela mesma noite eles atacaram, travaram minha porta pelo lado de fora e tudo o que ouvi foram gritos desesperados, era um misto de dor e agonia... eu bati na porta, gritei, tentei de todas as formas abri-la, mas não consegui... quando o sol estava para nascer os gritos cessaram, amanheceu e ninguém veio... gritei algumas vezes, mas logo desisti e esperei... o dia passou e quando anoiteceu ele veio até mim... aquela criatura monstruosa, ele parecia com o estranho que havia conhecido, mas suas feições estavam duramente mudadas, o medo logo se apossou de mim, e comecei a gritar por socorro, mas aquela coisa disse que todos estavam mortos e pelo jeito dele constatei que aquilo era verdade, suas roupas estavam ensangüentadas, o navio naquele momento parecia abandonado.
Não sei como não fiquei histérica, eu pensei que a morte havia chegado e estranhamente não consegui pensar em nada, eu estava em frente ao meu algoz e não poderia medir forças com ele, então desisti, não tinha como lutar, acabei dando minha vida facilmente para o demônio.Ele me atacou , me mordeu, seus dentes entraram tão fundo na minha carne que não tive dúvidas do resultado, depois de um momento enquanto ele bebia meu sangue, comecei a ficar fraca e logo estava perdendo os sentidos, despedi-me de meus pais mentalmente e morri... bom, era isso que eu achava, pensei que havia morrido, mas logo comecei a recobrar a consciência como quem volta de um desmaio, até pensei que tudo havia sido um pesadelo, mas ao acordar, vi o mesmo monstro na minha frente, ele havia me dado algo para beber, algo viscoso, mas na hora não percebi o que era por que ainda estava tonta, abalada e confusa... minha visão latejava e meus ouvidos pareciam captar até o mínimo ruído, tudo ao mesmo tempo, agonia... Desespero... e aquele monstro na minha frente falando que eu agora era uma vampira... logo pensei que estava perdida, que aquele homem era um louco e que havia também me enlouquecido.
Ele saiu do meu quarto, demorei um tempo e fui procurar alguém antes que ele retornasse.. . mas me arrependi amargamente. .. para todo canto que eu olhava, tinham corpos ou pedaços deles.
Os homens haviam sido brutalmente assassinados e alguns até esquartejados, minhas amas também, mas não avistei no meio de todo aquele horror, as minhas amigas.Andei até o convés e quando cheguei lá o meu espanto foi maior, elas estavam diferentes, também ensangüentadas e os dois amigos daquela criatura se “divertiam” com elas... foi uma cena grotesca.Quando olhei para cima, estava o estranho... sozinho... admirando todo aquela cena... devagar fui até ele, eu queria entender tudo aquilo e só ele poderia me explicar, estávamos no meio do oceano e não tinha nada à vista e à noite também não dava pra ver muita coisa.Perguntei quem era ele e ele me falou que era meu senhor... senhor de quê? – Perguntei... e ele falou: das trevas... perguntei também o que estava acontecendo, e ele falou que era um vampiro e que os amigos dele também eram... e que ele havia nos transformado. .. demorei pra acreditar, mas ele acabou me convencendo após me alertar que eu não estava mais respirando, que meu coração não batia mais e que minhas lágrimas eram desperdício de sangue.
Fiquei pensando naquilo tudo e meus caninos cresceram quando ele cortou o braço e me mostrou o sangue que pingou... e dali em diante perdi as esperanças de ver meus pais... não retornaria daquele jeito para casa, o que falariam de mim? Resolvi deixá-los no meu passado, até tentei vê-los algumas vezes, mas fiquei de longe e o pior era não conseguir sofrer de saudade, algo em mim tinha mudado e eu havia me desapegado de todos que amava.
- Eles ficaram quanto tempo com vocês neste navio? – Perguntou curioso.
- Muito tempo... alguns anos... não sei quantos.
Mesmo após tentar matá-lo algumas vezes, ele ria e dizia que perdoava a brincadeira. .. até que me acostumei com sua presença e quando isso aconteceu, ele foi embora... deixou-me no comando e foi embora, ele e os outros dois.
Depois disso começamos a ter nosso próprio estilo, viramos piratas, saqueamos muitos portos e acumulamos nossa riqueza ao longo dos anos. Aprendi os truques dele, isso era diversão, entrar na mente dos humanos, fazer com que pensassem o que eu queria, brincar com suas vidas, tudo o que ele não conseguiu fazer comigo e por isso ficou atraído por mim a tal ponto de me fazer igual a ele, em todos os portos sempre tivemos visitantes temporários, comida pra ser mais exata, mas não vou negar que me apaixonei algumas vezes e me decepcionei muitas delas, e agora estamos aqui.
- Então! Deixe-me ficar ao seu lado pra sempre.
- Não!- Por favor...- Já disse não! Não vou transformá-lo, eu não faço isso com mais ninguém.
- Então você não me quer... não me ama.
- Mas essa é a prova do meu amor, você terá um lugar para onde ir, depois daqui, o lugar que me foi tirado à força... você tem essa chance.
– A vampira falava secamente, sem aparentar qualquer sentimento.Jonas viu que não tinha jeito, Letícia estava irredutível, o tempo passou e viveram bem alguns anos, mas um dia Jonas não acordou mais, ainda jovem sofreu um mal súbito e descansou, ela notara que o companheiro vinha se queixando de dores, mas nada grave... e tudo aconteceu muito rápido, Jonas finalmente tinha partido; e se foi, sem lamentos, sem penas, apenas um beijo na testa e o fundo do mar... a sua lembrança permaneceria viva na cabeça da vampira e para sempre ele estaria com ela.Depois de tudo, algo inusitado aconteceu, Cloud havia voltado e desta vez sozinho.
Letícia estranhou e perguntou onde ele havia estado... e principalmente porque havia voltado.
- Você foi bem corajosa confiando naquele mortal.
- O quê?- Qual o nome dele mesmo? Jonas?
- Como sabe disso?
- Mal súbito foi? Hum, muito interessante.
- Você o matou!
- Ele já estava durando até demais...
- Por que o matou?
- Burrice sua acreditar em algum humano...
- Seu maldito!
- Não bastou com aquele idiota do Greg?
- O quê?- Por que você insiste em ser tão inocente?
- Maldito!
- Letícia...
- Maldito!!
- Letícia me ouça...
- SEU MALDITO!!!
Após as confissões de Cloud, Letícia havia tido a confirmação de que ele nunca havia se distanciado dela, apenas a deixara para ver se podia ficar sozinha, mas os vampiro ainda notava sua dependência em acreditar nos humanos.Furiosa ela começou a investir contra o vampiro, cheia de raiva... ela estava tomada de ódio por ter sido enganada todo esse tempo.Até que próximo à mesa ela avistou a arma de Jonas, pegou-a com incrível rapidez e despejou toda a munição no vampiro que começou a gritar... Letícia não entendeu porque balas comuns o machucaram e o que pensou ser comum, não eram, a munição tinha solução de alho, água benta e prata... Jonas era um caçador e ela nunca havia desconfiado, pois por respeito nunca tinha tentado ler seus pensamentos. .. o vampiro havia salvado-a e a retribuição que recebera foi perecer nas mãos da mulher que mais amou.Aquilo não o matou logo, fez com que ele se contorcesse por algum tempo jogado no chão, Letícia foi ao seu encontro e quando pensou em Jonas, percebeu que todo aquele tempo que ele havia passado com ela, estava só esperando seu senhor voltar, por isso insistiu tanto em virar um vampiro, para ter mais chances contra Cloud... e talvez até matasse-a depois... por isso tanta curiosidade.Ao ver o engano que cometeu, ela começou a pedir perdão aos prantos... Cloud olhou-a e a única frase que conseguiu falar foi... “infelizmente minha querida, nos vemos no inferno.”... e logo depois morreu sumindo no ar.Imediatamente Letícia e as outras vampiras voltaram à condição humana, instantaneamente envelheceram e foram se decompondo como se estivessem enterradas, Letícia não pôde mais lamentar seu grave erro, o vampiro havia levado todas elas consigo e o mar que agora enfrentariam não seriam mais cálidas águas e sim, sangue fervente e fumegante.
Blood kisses,
Nat Vamp.
-Não sei... foi tudo muito rápido. -respondeu Letícia mecanicamente.
-Eram muitos?
-Não... apenas três, mas tomaram conta do navio inteiro.
-E sua família?
-Também não sei... não pude mais voltar pra casa... não desse jeito.
-Faz quanto tempo?
-Hum... 330 anos... desde então estamos aqui, presas a essas águas tendo como casa apenas esse navio... mais alguma pergunta?
-Sim... e eu gostaria que sua resposta fosse "sim".
-O que é?
-Me transforma.. . deixa eu seguir pela eternidade contigo...
-O que te atrai nisso? "Eternidade" ... por que é tão... fascinante pra você?
-Por que eu poderia viver pra sempre ao seu lado.
-"Pra sempre"... é muito tempo!Letícia fitou Jonas por um longo tempo, ele era um ótimo amigo e passaram momentos maravilhosos, mas daí a transformá-lo era um enorme "se"... o que aconteceria se ela o transformasse? E se tudo desse errado? E se ele virasse um assassino implacável dando trabalho? Sem limite nenhum? Isso poderia trazer-lhe consequências e Letícia queria continuar anônima, sem chamar a atenção para não haver problemas. E logo Greg lhe veio à cabeça, um ótimo homem, amante sem igual, mas que ao ter o poder nas mãos quase os destruiu atraindo atenção desnecessária, isso culminou na morte de sua querida amiga, Manuelle... os caçadores pegaram-na pelas costas e degolaram-na de surpresa. Isso quase destruiu Letícia, mas ela superou e após ter dado fim à sua criação, despediu-se de Greg jogando-o no mais profundo oceano, e fez questão de esquecê-lo logo, prometendo para si mesma nunca mais confiar em alguém, poderia até amar novamente, mas trazer mais alguém para sua condição, isso nuncamais... decidiu que se amasse, seu amor duraria o tempo humano e depois ele seria lembrado com muito carinho, apenas lembrado.
Mas após tanto tempo o destino pregou-lhe uma nova peça, Letícia havia conhecido Jonas num dos portos onde pararam para se alimentar, apenas algumas palavras trocadas e o convite logo foi dado para que ele embarcasse, mas Letícia tinha certeza que ele não duraria mais que uma noite e com essa já faz um mês que estão juntos... ela não pensava em se ligar a mais ninguém, mas tudo foi mais forte, a simpatia, o companheirismo e aquele sorriso, tudo supria as carências da vampira... as amigas retrucaram, mas Letícia era muito respeitada e ao passo que todos os outros convidados encontravam o descanso nas cálidas águas, mas Letícia confiava em Jonas, até que ele descobriu seus segredos e por fim ela desabafou, para ele agora a vida também seria naquele lugar, pois após uma confissão tão macabra, ele sabia que não deixariam ele partir.Ao invés do rapaz sentir medo ele sentiu fascínio, ao invés dele querer fugir, ele optou por se ligar ainda mais à vampira, tanto que o pedido veio num rompante e deixou-a surpresa... mas a dádiva é diferente para cada um, o exemplo do Greg foi suficiente e Letícia não queria passar por tudo de novo, na dúvida, era melhor deixar tudo como estava, mas ele insistiu...
-Por que não? Você não me ama?
-Amor?? Não posso negar que você tornou-se especial, tanto que não posso torná-lo um vampiro... infelizmente meu querido, você como todo mortal, pode ter a certeza que um dia vai morrer e eu continuarei carregando meu fardo.
-Mas você transformou todas as outras, por que não eu? Por que sou homem?
A vampira sorriu diante da inocente ignorância de Jonas, e explicou...
-Jonas meu querido... aí você se engana, nós somos filhas do mesmo senhor, todas nós fomos transformadas na mesma época e à mim foi dado o título de capitã mediante meu merecimento. .. apenas isso.
-E ele... esse senhor... vem visitá-las? Ele vem com que frequência vê-las?
-Nenhuma... nunca veio, as vezes me sinto observada, mas deve ser só impressão.
-Minha nossa! Como vocês aguentam essa vida?
-Nos acostumamos. .. aceitamos... apenas isso.
-Você poderia me contar como foi que tudo aconteceu? Como "na época" vocês encararam o mal?
-Mal? Então é isso o que pensa de mim? Que sou o mal? -a mulher estranhou um pouco a pergunta, mas afastou o pensamento.
-Não, me desculpe... pequei na maneira de falar... mas... poderia me contar?
-Vamos ver... por onde eu começo... Era uma vez... ha ha ha, me desculpe, bom, deixa eu pensar...
Os dois conversavam enquanto o sol ainda estava quente iluminando tudo, o navio estava atracado numa ilha segura, todas as vampiras estavam recolhidas no interior do navio que fora forrado com peles para vetar a entrada do sol.
Letícia e Jonas estavam nos aposentos que eram destinados à ela, a capitã, que também havia sido cuidadosamente forrado com peles de animais.Enquanto Jonas bebia vinho, ela contava-lhe toda sua história... apesar de não gostar de relembrar o tudo de bizarro que havia acontecido, mas não se importou em contar e começou.
Bom... naquele dia, o dia da minha viagem finalmente sem meus pais, eu estava muito feliz, havia acabado de completar 19 anos e juntamente com algumas amigas, concordamos em conhecer algumas ilhas por um período de 6 meses, na verdade, eu nem sabia como meus pais haviam concordado, era um verdadeiro milagre... enfim chegou o dia, estava lindamente ensolarado, lembro também de muitos pássaros, tudo estava perfeito e quando eu retornasse iria me casar com um jovem príncipe que eu ainda não conhecia... e nem conheci... as vezes me pego imaginando como ele deveria ser...
-Você era uma princesa?
-Sim... era... há muito tempo...Meus pais haviam contratado homens de confiança para o navio... e as minhas amas também vieram... todas foram cruelmente massacradas, até hoje lembro de seus gritos...
-Quantas amas eram?
-Catorze.
-E quantas amigas vieram com você?
-Doze... as mesmas que continuam comigo ainda hoje, menos Manuelle... vítima da minha inocente burrice.
-falou fechando os olhos...
-posso continuar?A vampira perguntou num tom de brincadeira e Jonas consentiu com a cabeça.
O dia chegou e tudo estava sendo cuidadosamente arrumado, o capitão já tinha marcado no mapa todas as ilhas que visitaríamos, não era uma viagem tão longa, apenas seis meses, tudo havia sido conferido e arrumado, nos despedimos de todos e embarcamos.. . passamos um mês muito bem, atracamos em lugares com ótimas pousadas, tudo era novo e curioso... estava feliz e escrevia num diário tudo que se passava, para que quando voltasse, mostrar as anotações para meus pais e todos que haviam ficado.
Na última cidadezinha que atracamos conheci um jovem e ele tinha dois amigos, quando chegamos eles estavam conversando e ao me ver um deles veio me cumprimentar. .. achei-o cavalheiro, ele era educado e gentil e pediu-nos para seguir viagem conosco... minha resposta foi instantânea, dei um “não” da melhor maneira, pois uma coisa nele me incomodou muito, o fato dele me encarar diretamente nos olhos, causou-me arrepios.
Ele continuava a me encarar e insistia na pergunta, tanto que me irritei e saí, quando olhei para traz para ver se me seguia notei que ele estava espantado com algo, falando com os amigos que também estavam com caras estranhas. Eu não queria mais vê-lo... nunca mais cruzar com ele, mas na hora de voltar ao navio, vi gente estranha rodeando o local e o embarque de umas enormes caixas... corri até o capitão que sorridente conversava com aquele estranho misterioso, perguntei atordoada o porque do capitão estar agindo daquela forma já que aquela era uma viagem estritamente particular e ele me falou que no próximo porto eles desceriam, que era uma carona rápida... eu retruquei, reclamei muito, mas o capitão não mudou de idéia e com um sorriso maliciosamente cínico, aquele homem e seus amigos embarcaram.
Eu até pensei em não seguir viagem, mas fui vencida por todos... todos pareciam encantados com aqueles três... todos... menos eu... lá no fundo do meu coração eu sabia queaquilo era encrenca.
Subi no navio e falei duramente ao capitão que quando retornássemos eu contaria tudo para meu pai, mas nem aquilo pareceu abalar o ânimo repentino do capitão antes conhecido como rabugento, mas muito competente.. . bom, depois daquilo eu duvidava de sua competência, eu estava realmente indignada.
Me recolhi aos meus aposentos e deixei todos os outros com suas cordialidades para lá, eu queria chegar logo ao próximo porto e acabar com aquele pesadelo. As minhas amigas, as amas e os homens estavam de tal modo fascinados que até parecia que estavam enfeitiçados, mas essa hipótese deixei pra lá, não acreditava no sobrenatural.
Que ironia não é?-
E eles atacaram naquela mesma noite?
- Sim... estranhamente o capitão só quis viajar à noite, e eu nem desconfiei, quando não os vi durante o dia.
Naquela mesma noite eles atacaram, travaram minha porta pelo lado de fora e tudo o que ouvi foram gritos desesperados, era um misto de dor e agonia... eu bati na porta, gritei, tentei de todas as formas abri-la, mas não consegui... quando o sol estava para nascer os gritos cessaram, amanheceu e ninguém veio... gritei algumas vezes, mas logo desisti e esperei... o dia passou e quando anoiteceu ele veio até mim... aquela criatura monstruosa, ele parecia com o estranho que havia conhecido, mas suas feições estavam duramente mudadas, o medo logo se apossou de mim, e comecei a gritar por socorro, mas aquela coisa disse que todos estavam mortos e pelo jeito dele constatei que aquilo era verdade, suas roupas estavam ensangüentadas, o navio naquele momento parecia abandonado.
Não sei como não fiquei histérica, eu pensei que a morte havia chegado e estranhamente não consegui pensar em nada, eu estava em frente ao meu algoz e não poderia medir forças com ele, então desisti, não tinha como lutar, acabei dando minha vida facilmente para o demônio.Ele me atacou , me mordeu, seus dentes entraram tão fundo na minha carne que não tive dúvidas do resultado, depois de um momento enquanto ele bebia meu sangue, comecei a ficar fraca e logo estava perdendo os sentidos, despedi-me de meus pais mentalmente e morri... bom, era isso que eu achava, pensei que havia morrido, mas logo comecei a recobrar a consciência como quem volta de um desmaio, até pensei que tudo havia sido um pesadelo, mas ao acordar, vi o mesmo monstro na minha frente, ele havia me dado algo para beber, algo viscoso, mas na hora não percebi o que era por que ainda estava tonta, abalada e confusa... minha visão latejava e meus ouvidos pareciam captar até o mínimo ruído, tudo ao mesmo tempo, agonia... Desespero... e aquele monstro na minha frente falando que eu agora era uma vampira... logo pensei que estava perdida, que aquele homem era um louco e que havia também me enlouquecido.
Ele saiu do meu quarto, demorei um tempo e fui procurar alguém antes que ele retornasse.. . mas me arrependi amargamente. .. para todo canto que eu olhava, tinham corpos ou pedaços deles.
Os homens haviam sido brutalmente assassinados e alguns até esquartejados, minhas amas também, mas não avistei no meio de todo aquele horror, as minhas amigas.Andei até o convés e quando cheguei lá o meu espanto foi maior, elas estavam diferentes, também ensangüentadas e os dois amigos daquela criatura se “divertiam” com elas... foi uma cena grotesca.Quando olhei para cima, estava o estranho... sozinho... admirando todo aquela cena... devagar fui até ele, eu queria entender tudo aquilo e só ele poderia me explicar, estávamos no meio do oceano e não tinha nada à vista e à noite também não dava pra ver muita coisa.Perguntei quem era ele e ele me falou que era meu senhor... senhor de quê? – Perguntei... e ele falou: das trevas... perguntei também o que estava acontecendo, e ele falou que era um vampiro e que os amigos dele também eram... e que ele havia nos transformado. .. demorei pra acreditar, mas ele acabou me convencendo após me alertar que eu não estava mais respirando, que meu coração não batia mais e que minhas lágrimas eram desperdício de sangue.
Fiquei pensando naquilo tudo e meus caninos cresceram quando ele cortou o braço e me mostrou o sangue que pingou... e dali em diante perdi as esperanças de ver meus pais... não retornaria daquele jeito para casa, o que falariam de mim? Resolvi deixá-los no meu passado, até tentei vê-los algumas vezes, mas fiquei de longe e o pior era não conseguir sofrer de saudade, algo em mim tinha mudado e eu havia me desapegado de todos que amava.
- Eles ficaram quanto tempo com vocês neste navio? – Perguntou curioso.
- Muito tempo... alguns anos... não sei quantos.
Mesmo após tentar matá-lo algumas vezes, ele ria e dizia que perdoava a brincadeira. .. até que me acostumei com sua presença e quando isso aconteceu, ele foi embora... deixou-me no comando e foi embora, ele e os outros dois.
Depois disso começamos a ter nosso próprio estilo, viramos piratas, saqueamos muitos portos e acumulamos nossa riqueza ao longo dos anos. Aprendi os truques dele, isso era diversão, entrar na mente dos humanos, fazer com que pensassem o que eu queria, brincar com suas vidas, tudo o que ele não conseguiu fazer comigo e por isso ficou atraído por mim a tal ponto de me fazer igual a ele, em todos os portos sempre tivemos visitantes temporários, comida pra ser mais exata, mas não vou negar que me apaixonei algumas vezes e me decepcionei muitas delas, e agora estamos aqui.
- Então! Deixe-me ficar ao seu lado pra sempre.
- Não!- Por favor...- Já disse não! Não vou transformá-lo, eu não faço isso com mais ninguém.
- Então você não me quer... não me ama.
- Mas essa é a prova do meu amor, você terá um lugar para onde ir, depois daqui, o lugar que me foi tirado à força... você tem essa chance.
– A vampira falava secamente, sem aparentar qualquer sentimento.Jonas viu que não tinha jeito, Letícia estava irredutível, o tempo passou e viveram bem alguns anos, mas um dia Jonas não acordou mais, ainda jovem sofreu um mal súbito e descansou, ela notara que o companheiro vinha se queixando de dores, mas nada grave... e tudo aconteceu muito rápido, Jonas finalmente tinha partido; e se foi, sem lamentos, sem penas, apenas um beijo na testa e o fundo do mar... a sua lembrança permaneceria viva na cabeça da vampira e para sempre ele estaria com ela.Depois de tudo, algo inusitado aconteceu, Cloud havia voltado e desta vez sozinho.
Letícia estranhou e perguntou onde ele havia estado... e principalmente porque havia voltado.
- Você foi bem corajosa confiando naquele mortal.
- O quê?- Qual o nome dele mesmo? Jonas?
- Como sabe disso?
- Mal súbito foi? Hum, muito interessante.
- Você o matou!
- Ele já estava durando até demais...
- Por que o matou?
- Burrice sua acreditar em algum humano...
- Seu maldito!
- Não bastou com aquele idiota do Greg?
- O quê?- Por que você insiste em ser tão inocente?
- Maldito!
- Letícia...
- Maldito!!
- Letícia me ouça...
- SEU MALDITO!!!
Após as confissões de Cloud, Letícia havia tido a confirmação de que ele nunca havia se distanciado dela, apenas a deixara para ver se podia ficar sozinha, mas os vampiro ainda notava sua dependência em acreditar nos humanos.Furiosa ela começou a investir contra o vampiro, cheia de raiva... ela estava tomada de ódio por ter sido enganada todo esse tempo.Até que próximo à mesa ela avistou a arma de Jonas, pegou-a com incrível rapidez e despejou toda a munição no vampiro que começou a gritar... Letícia não entendeu porque balas comuns o machucaram e o que pensou ser comum, não eram, a munição tinha solução de alho, água benta e prata... Jonas era um caçador e ela nunca havia desconfiado, pois por respeito nunca tinha tentado ler seus pensamentos. .. o vampiro havia salvado-a e a retribuição que recebera foi perecer nas mãos da mulher que mais amou.Aquilo não o matou logo, fez com que ele se contorcesse por algum tempo jogado no chão, Letícia foi ao seu encontro e quando pensou em Jonas, percebeu que todo aquele tempo que ele havia passado com ela, estava só esperando seu senhor voltar, por isso insistiu tanto em virar um vampiro, para ter mais chances contra Cloud... e talvez até matasse-a depois... por isso tanta curiosidade.Ao ver o engano que cometeu, ela começou a pedir perdão aos prantos... Cloud olhou-a e a única frase que conseguiu falar foi... “infelizmente minha querida, nos vemos no inferno.”... e logo depois morreu sumindo no ar.Imediatamente Letícia e as outras vampiras voltaram à condição humana, instantaneamente envelheceram e foram se decompondo como se estivessem enterradas, Letícia não pôde mais lamentar seu grave erro, o vampiro havia levado todas elas consigo e o mar que agora enfrentariam não seriam mais cálidas águas e sim, sangue fervente e fumegante.
Blood kisses,
Nat Vamp.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Nem mais lembranças
As marcas de uma vida ainda estavam latentes em minha memória até o século passado, ainda lembrava do resquício de uma família aos poucos atormentada e dizimada a sangue frio, a minha família. E a culpa de tudo isso era minha. Tudo porque o procurei... chamei-o várias vezes até que ele me atendeu... chegou como um redemoínho, levou tudo o que eu tinha, deixando-me sozinha na noite, não sei se noite fria pois, nem isso mais eu sentia, meu corpo parecia dormente e eu pensava que havia contraído uma grave doença, estava definhando dia após dia, até que descobri o remédio da minha doença, sangue, tudo por acaso... um assaltante machucou sua vítima com uma enorme faca e o sangue jorrou, eu que estava à espreita comecei a fazer parte do cenário... me alimentei dos dois, praticamente os devorei e depois me senti mal, um nojo se apossou de mim e saí correndo. O que havia me tornado? Um canibal? Não, pior que isso, eu era um monstro... demorei muito tempo para me aceitar, hoje estou mais tranquila, sei o que sou e por vezes me orgulho disso, mas muitas vezes ainda me pego pensando no passado, dois séculos atrás quando eu era humana, talvez mais feliz, livre de condições macabras. Hoje em dia sou uma predadora, uma vampira, necessito de sangue e me alimento do melhor néctar de maldade da sociedade, a escória, devo até ser um tipo de justiceira, pois as ruas estão mais seguras hoje... bom, pelo menos por um lado... mas também sei que não sou boazinha e de vez em quando saio da linha deliciando-me com a inocência... assim, lembro-me do que perdi e parece doer, mas não dói, não tenho mais nada em mim que inspire vida e breve nem lembranças mais. A cada vítima que pego um pouco de minhas recordações vão com ela, esse é o preço, não sei o que será quando elas se acabarem, será que virarei um monstro por completo? Será que matarei sem medida? Não sei o que acontecerá e nisso vou esperando que esta condição não me leve logo ao estágio mais avançado... se tem mais coisas como eu, sinceramente não sei e decididamente não quero encontrar.
Nunca vivi em grupo, pra falar a verdade eu tenho raiva de mim por ser o que sou, de outro então... por isso sou uma solitária. E assim vou atravessando os tempos com um amor novo a cada mordida o que não dura mais que uma noite... é... bem que me disseram que eu teria paixões fulminantes. Por enquanto vou ficando por aqui, neste mausoléu, fazendo compania a essa garotinha, aqui é grande e tenho meu próprio caixão, acho que não tem mais ninguém na família dela para vir para cá e quando estou muito triste, toco seu piano... Gosto quando faço isso, sinto o medo da população ao redor do cemitério, eles ficam me escutando por toda noite, por causa disso este lado onde estou ficou abandonado, as árvores cresceram e ficou sombrio... assim ninguém me perturba... tem até uma lenda na cidade sobre a garotinha... a menina do piano... depois eu soube que ela havia morrido quando estava se apresentando e por isso ele está aqui com ela... que união mórbida e linda! Agora tenho que ir atrás de alimento, pois os caçadores desta época pensam muito devagar, se eles viessem me pegar por causa da lenda, como muitos fizeram, eu não precisaria sair... -Melanie, já volto! Fim.
Nat Vamp
Blood kisses.
Nunca vivi em grupo, pra falar a verdade eu tenho raiva de mim por ser o que sou, de outro então... por isso sou uma solitária. E assim vou atravessando os tempos com um amor novo a cada mordida o que não dura mais que uma noite... é... bem que me disseram que eu teria paixões fulminantes. Por enquanto vou ficando por aqui, neste mausoléu, fazendo compania a essa garotinha, aqui é grande e tenho meu próprio caixão, acho que não tem mais ninguém na família dela para vir para cá e quando estou muito triste, toco seu piano... Gosto quando faço isso, sinto o medo da população ao redor do cemitério, eles ficam me escutando por toda noite, por causa disso este lado onde estou ficou abandonado, as árvores cresceram e ficou sombrio... assim ninguém me perturba... tem até uma lenda na cidade sobre a garotinha... a menina do piano... depois eu soube que ela havia morrido quando estava se apresentando e por isso ele está aqui com ela... que união mórbida e linda! Agora tenho que ir atrás de alimento, pois os caçadores desta época pensam muito devagar, se eles viessem me pegar por causa da lenda, como muitos fizeram, eu não precisaria sair... -Melanie, já volto! Fim.
Nat Vamp
Blood kisses.
Assinar:
Postagens (Atom)